
O ANJO
DO SUBÚRBIO (2008)
PASSAGEIRO DO FUTURO - Projeto Sócio-Cultural
A
peça O Anjo do Subúrbio é uma adaptação
que a diretora Celina Sodré fez do texto original de Bertold
Brecht, "A Alma Boa de Setsuan", e que será
montada com os jovens alunos da rede pública de ensino, em Vila
Kennedy.
Como
ser bom em um mundo tão competitivo, onde a generosidade é
tragada pela miséria?
Foi com esta pergunta que Bertold Brecht escreveu esta parábola
sobre a bondade. A peça é ambientada na cidade de Setsuan,
pequena província no interior da China. Três Deuses descem
a terra com a missão de achar uma alma que ainda seja boa. Em
meio a hostilidade dos moradores e guiados por um aguadeiro que sobrevive
com pequenos trambiques, eles acabam sendo hospedados pela prostituta
Chen-te, percebendo nela a Alma Boa que procuravam. Em retribuição
à hospitalidade da prostituta, os deuses deixam uma boa quantia
em dinheiro, o suficiente para que Chen-te abra uma pastelaria. No entanto,
Chen-te tem dificuldades em se manter boa e, ao mesmo tempo, preservar
o seu pequeno negócio, que passa a ser alvo de população
que vive no limite da pobreza. Sua generosidade a impede de dizer não
e, para não ser tragada pela pobreza, acaba se travestindo de
homem e inventando um fictício personagem masculino, o primo
Chui-ta, que conduz os negócios com mão de ferro e pragmatismo.
Se Chen-te tem dificuldade em sobreviver com sua bonadade em uma realidade
de pobreza, o esforço de Chui-ta também não será
menor, o transformando em um tirano da miséria.
A
peça foi apresentada, entre outros lugares, no Teatro Mário
Lago, Lona da Maré, Instituto Benjamin Constant, SESC Ramos,
Cidade das Crianças, Lona de Anchieta, SESC São Gonçalo
e CIEP Vila Kennedy.
Financiado
pelo Instituto Votorantin, o grupo é remunerado com uma bolsa
salário pelos ensaios e apresentações, relativo
à função de atores, contra-regras, operadores de
luz e som, assistentes de cenário, figurino, maquiagem e iluminação.
EQUIPE
Juliana
Texeira - Coordenação
Acacio Velloso - Produtor executivo
JLS Comunicações - Assessoria de imprensa
Sandra Paes Leme - Assistente de produção
Paula Müller - Assistente administrativo/base
Regina de Fatima Souza - Assistente social
Dudu Damm - Programador visual
Celina Sodré - Diretora e profª de interpretação
Andréia Maciel - Preparadora corporal e vocal
Alberto de Avyz - Cenógrafo e profº de cenografia
Roni de Alencastro - Diretor musical e profº de sonorização
Andreia Alves - Visagista e profº de maquiagem
Maurício Cardoso - Iluminador e profº de iluminação
Danielle Maranhão - Figurinista e profº de figurino
Monitores:
Patrícia L. Amaral - Produção
Letícia Mota - Interpretação/ corpo
Felipe Marcio Dias - Iluminação
Anastácia Balbino - Figurino
Jamile R. Magalhães - Cenário
Tássia Regina Pereira - Maquiagem
Debora Maira Melo - Som
RELEASE
PASSAGEIRO DO FUTURO
Passageiros
do Futuro se expande
Noções de cidadania e capacitação para
artes cênicas beneficiarão 80 jovens carentes
Juntar
educação e cultura, através da capacitação
técnica nas artes cênicas, formando operadores de luz e
som, contra-regras, camareiras, assistentes de cenário, figurinistas,
intérpretes e ainda acompanhar o ano letivo, monitorando o rendimento,
com o objetivo de inibir a evasão escolar, é a proposta
do projeto Passageiro do Futuro, idealizado pela atriz e produtora cultural
Juliana Teixeira, que há sete anos desenvolve esse projeto em
comunidades carentes e que este ano será executado na Vila Kennedy
com 150 jovens, entre 15 e 21 anos.
A idéia
do projeto surgiu em 2000 e foi implantado no ano seguinte, em Vila
Aliança, em Bangu. Durante os sete anos de sua existência,
o Passageiro do Futuro já capacitou 400 jovens carentes das comunidades
da Vila Aliança, Andaraí, Água Santa e Vila Kennedy.
Este ano Vila Kennedy terá mais ações como, a ampliação
do número de palestras, exibição de filmes e leituras
de poesias para os jovens do projeto e seus pais, sete alunos serão
contratados para serem assistentes dos professores. Serão abertos
espaços para as comunidades, com exposições dos
trabalhos dos alunos, e apresentações de esquetes.
O projeto
Passageiro do Futuro oferece a alunos da rede pública, além
das noções de cidadania, a oportunidade de inserção
social. O projeto abre oportunidade para renovar a formação
de mão-de-obra no setor cênico, onde as escolas especializadas
são em número insuficiente. Foi desenvolvido um material
pedagógico específico, traçando um paralelo entre
as matérias do currículo escolar com as das artes cênicas.
Exemplo: Português com Interpretação, Física
com Iluminação, Figurino com História, etc.
Durante
o projeto, também são desenvolvidas dinâmicas de
grupo e reuniões com familiares, com o objetivo de discutir de
que forma as oficinas estão repercutindo no cotidiano e no comportamento
dos jovens em casa e na escola. De acordo com Juliana Teixeira, a pesquisa
promovida pelo Passageiro do Futuro nestes últimos sete anos,
registra que a maioria dos participantes teve ganho de leitura e escrita.
Aulas de reforço em português e matemática.
Além disso, usaram o aprendizado em benefício da comunidade,
passaram a ter conhecimento de instituições culturais
e de artes plásticas, a freqüentar bibliotecas e a ter esperanças
num emprego fora da comunidade. Um dos exemplos de sucesso, é
o estudante Welligton Souza, de 21 anos, que fez parte do grupo do Andaraí,
em 2002. Hoje, ele é operador de som profissional e promove bailes
e festas em vários pontos da cidade, e em boates de sucesso,
como a Via Show e Symbol.
Como
funciona o Projeto Passageiro do Futuro
O processo
criativo do Passageiro do Futuro dura 10 meses, e é dividido
em três etapas: Primeiro, os alunos têm a oportunidade de
visitar as principais instituições culturais como o Centro
Cultural Banco do Brasil (CCBB), Museu da Arte Contemporânea (MAC,
MHN, em Niterói), Paço Imperial, entre outros. A primeira
etapa é também dedicada às oficinas.
A segunda
etapa à criação, produção e montagem
do espetáculo. E, por fim, a conclusão do trabalho, com
espetáculos gratuitos, que são apresentados em escolas
públicas, clubes, lonas culturais, quadras de samba, e praças.
Durante o período de ensaios e de turnê do espetáculo,
o grupo é remunerado com uma bolsa salário pelos ensaios
e mini-turnê, relativo às funções de atores,
contra-regras, operadores de luz e som, assistentes de cenário,
figurino, maquiagem e iluminação. Todos os alunos trabalham
como técnicos e alguns como artistas e técnicos.
A montagem
do espetáculo, itinerante - adaptado aos distintos espaços
sem perda de qualidade - proporciona uma grande vivência, exigindo
dos artistas e técnicos soluções criativas de acordo
com as necessidades apresentadas no local. Isto significa: amadurecimento
profissional para adaptação do espetáculo. Além
disso, a iniciativa possibilita a formação de novas platéias,
que sem esta oportunidade, não teriam acesso ao teatro e seus
bastidores. Durante esses sete anos, o Passageiro do Futuro já
se apresentou para 32.000 pessoas.